Sabe-se lá quantas horas já se passaram desde que fui
Retirado um pouco mais de uma hora
Da barriga de minha mãe
Passaram muitas horas até que eu fosse levado pra casa
Embalado, cuidado e por fim, jogado à vida
Onde as horas passam mais lentamente
Serão os relógios que estão lentos
Ou será rápido demais
Caminho, ando,me desloco em atrito com o tempo
O tempo me bate na cara, aperta o peito
E me atrasa para os compromissos mais simples
Como por exemplo, viver sem contar o tempo
Viver neste ritmo fechado de horas
É como voltar à idade média
E ficar trancafiado em algum calabouço
A esperar todos os dias por uma nova fogueira
Horas marcadas, cronometradas, estipuladas, exigidas
É como se o ritmo, esmagado por tudo isso,
Perdesse o próprio ritmo, e a vida demarcada
Por ponteiros e dígitos perdesse a graça
Arranco do meu pulso este objeto
Quebro meu celular
Não consulto mais as horas
Não presto atenção nos sinos das igrejas
Como é boa a vida sem tempo
Daqui a 60 dias estarei demitido
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
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