segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A minha passagem das horas

Sabe-se lá quantas horas já se passaram desde que fui
Retirado um pouco mais de uma hora
Da barriga de minha mãe
Passaram muitas horas até que eu fosse levado pra casa
Embalado, cuidado e por fim, jogado à vida
Onde as horas passam mais lentamente

Serão os relógios que estão lentos
Ou será rápido demais

Caminho, ando,me desloco em atrito com o tempo
O tempo me bate na cara, aperta o peito
E me atrasa para os compromissos mais simples
Como por exemplo, viver sem contar o tempo

Viver neste ritmo fechado de horas
É como voltar à idade média
E ficar trancafiado em algum calabouço
A esperar todos os dias por uma nova fogueira

Horas marcadas, cronometradas, estipuladas, exigidas
É como se o ritmo, esmagado por tudo isso,
Perdesse o próprio ritmo, e a vida demarcada
Por ponteiros e dígitos perdesse a graça

Arranco do meu pulso este objeto
Quebro meu celular
Não consulto mais as horas
Não presto atenção nos sinos das igrejas

Como é boa a vida sem tempo

Daqui a 60 dias estarei demitido

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